Cores, pausas e notas para uma tarde chuvosa

May 2, 2008

Ainda não descobri todas matizes de cores dessa música, já achei rosa, verde, um pouco do laranja e, pelo olha da Nara Leão, até um pouco de lilás. Espero que esquentem vocês tanto quanto a mim, nessa sexta chuvosa de outono. Quis postar um vídeo pois ele me fez parar um pouco pra pensar sobre cumplicidade.  Junto a ele queria deixar uma pensamento pra somar à água que cai lá fora.

Curto muito observar em duetos a comunicação sutil que acontece entre os músicos quando se encontram. Fico pensando no que passa em suas cabeças, enquanto são tomados pela cumplicidade pontuada por notas e pausas. Olhem os olhares!

Dá pra sentir a energia em espiral rodando entre eles, às vezes acho muito parecida com o que acontece ao se observar um quadro. Sem palavras trocadas, se pode enxergar um pouco da alma de uma obra, extendendo à alma do artista.Traço e cores se abrem. É como entrar num mundo paralelo pra quem está disposto a se entregar.

Música quando bate nos meus ouvidos são como cores simbólicas numa tela de ar. Dá pra sentir o pulso do propósito da obra.

Fico aqui curtindo mais uma conversa entre o Chico e a Nara, pedindo pro frio nas minhas orelhas passar. Boas cores, pausas e notas pra vocês também.


“I ballerini” – Mãos à obra!

April 24, 2008

“I ballerini” - A obra começou

Desenho na cabeça pronto, sketches prontos. Agora era partir para a tela grande!
Fiz e refiz o desenho diversas vezes, assim pude chegar a precisão conceitual imaginada pra esta Obra Mural na casa dos Shijshas (Entendam Shijsha como termo central para definir a casa do Shijsha & Fê, do Geary e do Guillemots).

Busquei desde o início encontrar formas e movimentos que descrevessem precisamente minha percepção da alma da casa e das pessoas que moram lá: música, viagem, movimento, outros idiomas, festa, celebração, pessoas indo e vindo (e ficando), pessoas de fora, mais pessoas…

Selecionei algumas fotos para mostrar o processo craitivo de concepção da Obra. Mostrar os caminhos encontrados para transformar movimento em traço e celebração em formas esguias e envolventes. Tudo para que o olhar convergisse.

Prestem atenção a minha mão esquerda. Enquanto preparava estas fotos para o Piede Alato, notei que não deixei o sketch original de lado em nenhum minuto, fiquei com minha cola sempre à postos. Vinha na cabeça que não podia perder de forma alguma a delicadeza do movimento das figuras, o processo foi meticuloso, quase como se estivesse a desenhar Haikais. Minha respiração estava sendo controlada ao ponto de mantê-la suspensa para não perder a fluidez das curvas. Acho que consegui a harmonia que imaginava para esta parte da parede. Vamos ver como vai sair o resto.

Em breve fotos da Obra completa. Não percam.

Groetjies


“I ballerini” – Estudos preparatórios

April 19, 2008

I Ballerini - Estudos preparatórios

Eu já estava com saudades de pintar, não em papel, mas em paredes. Me dá muito prazer receber encomendas, principalmente quando elas são em grande formatos, ainda mais quando me “dão” uma parede da própria casa pra pintar.
Já me perguntei algumas vezes se criar obras murais para mim, não poderia ser uma saudade de infância batendo em minha porta, a resposta recorrente é: acho que não. Acredito muito mais que o traço de meus desenhos me pede para andar em espaços mais amplos e assim poderem dançar mais à vontade.

Em alguma noite quente de janeiro conversando com amigos-família, entramos no assunto de pinturas murais e em grande formatos. Eu, todo animado a contar e mostrar meus novos quadros e as hitórias por trás deles, papéis e gestos não faltam quando se está muito envolvido numa boa conversa – como toda conversar com amigos deve ser – e não sei se pelo contexto ou mesmo por inspiração, minutos depois recebo deles a encomenda de criar uma obra mural para a parede na sala principal da casa. Bacana, mais uma obra mural à vista. Desafio aceito com prazer!

Posto aqui os estudos de ambientação e conceito da obra.
E a vocês, meus amigos, minha linhas agradecem.

Saluti


Sim. Duas Torres.

April 8, 2008

Quadro | Duas torres

São Duas Torres, -ou são minhas/suas mãos? – são dois mundos e umas 4 coisas difusas por cor e linha pra me lembrar ao Acordar. Brincar um pouco com os instrumentos de Ariadne é um prazer, principalmente se for através de suas linhas que mais confundem num primeiro olhar do que explicam o coroar final do propósito. Para mim é uma diversão pintar com metáforas e representações simbólicas.

Gosto de lembrar a todos, quando estão de frente para meus quadros, o quanto eles são generosos. Eles simplesmente pedem para que desaceleram! Lembram a todos o quanto do corre-corre do dia nos faz perder o contato com o detalhe, com as mensagens sutis que habitam no silêncio, quando estamos em silêncio conosco. Desacelerar para poder Ver e não só exergar, desacelerar para poder entrar.

Quantas belas surpresas já tive, de quem, pelo valor da pausa de mais duas respirações, me contava histórias fantásticas de casamentos e cavalos marinhos!! De certa forma eram crianças… Mas já estou acostumado, pro de dentro acordar, tudo tem que começar com a velha e boa testa franzida!

Aos poucos o quadro se revela, ele entrega uma linha, mostra o dorso. Nesse quadro, batizado de DUAS TORRES, quis mostrar o belo ao representar o além da tensão que o isolamento impõe, seja àqueles que estão longe, seja aquele aí dentro de cada um. Sempre há saídas!

Para alguns é o sair da dormência e andar pra ver o mundo, para outros é no amor que se rompe a bolha letárgica e se recobre o fôlego e ritmo. Para algumas é a realização na maternidade e para os artistas,loucos e desgarrados de netuno, a rendenção se encontra no contato com a fragilidade da transformação diária.

Depois de ver mais um quadro terminado e bem recebido pelos amigos, acho que mereço coroar meu descanso em um azul de tarde de verão ou esperar pelo próximo dourado de qualquer 4 da tarde de outono. Pra minha cabeça é no simbolismo que se faz a diferença. E fecho esse post com mais uma lasca de chocolate.

Duas Torres - Moldura

Saluti a tutti quanti.


É tocar no fundo para subir

March 21, 2008

Estrelas sobre minha cabeça

Esses dias estava me lembrando de uma frase que certa vez ouvi num filme, era algo mais ou menos assim:” Quand le sage montre le Ciel, l’imbécile regarde le doigt”. Bastou ouví-la pra me fazer parar um pouco pra pensar nesse corre-corre louco do dia-a-dia e tentar acertar o olhar com a cabeça. “Pra onde estou direcionando minha energia? Por que as vezes esse peso todo nas costas e no juízo?”.
Surgem algumas lembranças na cabeça, me vejo lendo, deitado no sofá ouvindo qualquer boa música ao fundo ou desenhando. Me lembro novamente como é fácil fazer o tempo congelar e como algumas vezes é tão fácil me esquecer disso. A operetta se resume assim, energia tem que ser direcionada pro lugar certo e em tempos de chocolate! Passa na minha cabeça que a sensação é a mesma quando como chocolate! Isso é um bom indicativo.

O engraçado é que nunca acaba, vai ser o eterno esquecer e lembrar. Ora a prestar atenção às águas turbulentas sob os pés, ora a lembrar que acima de minha cabeça repousam as estrelas. E os chocolates na geladeira!

Primeiro esboço de um novo quadro. Vamos ver pra onde ele vai me levar desta vez!


Santo Vento ou “The girl who collects shells” has come back to the coast

February 12, 2008

QUADRO | Santo Vento ou The Girl who collects shells (has come back to the coast)

Me lembro como tudo começou, indo pra casa, embalado no trânsito noturno pela melodia da cidade e pelas melodias que tocavam no meu headphone, de repente na minha mente… como um grande amigo brinca comigo: “-Um Relampo!!”. Acabava de perceber que mais uma aventura se iniciava.
Muitos rabiscos depois e vários estudos de harmonização, principalmente para chegar na leveza que a figura me pedia, acredito que consegui com meu traço, chegar a sutileza do levantar os pés e deixar-se invadir por idéias, pensamento, esperas e reflexões.
Agora comentando um pouco mais sobre o processo de criação, uma das coisas que mais me angustiava era como iria solucionar harmonicamente determinadas partes. De início achei que a composição era difícil, principalmente por se tratar de um conceito imaginado em fluidez e movimento nos traços. Isso me exigiu um pouco mais da sensibilidade pra encontrar a harmonia compositiva adequada ao desenhar as mãos, pés e colocá-los todos coesos numa pose.

Fiquei particularmente contente e surpreso (!) por poder ver do braço pousado esquerdo da figura, nascer um outro braço, este anterior ao que segura a concha (ver desenho dentro do ombro esquerdo). Esse presentão no meio do processo me trouxe movimento e reforçou o que pra mim conceitualmente era uma das coisas mais importantes, o fato da figura segurar com sua mão esquerda, uma concha. ( Sim, surpreso! Porque durante o processo aconteceu algo do tipo “Inspiration on the fly”).
É, contente é uma boa palavra pra fechar esse post. Como é bom ver mais um sentimento-pensamento ganhar vida pelas minhas mãos. Breve coloco mais imagens com detalhes deste quadro.

AH! Imanges também no Flickr, podem conferir por lá todos os quadros: www.flickr.com/photos/geofreitas

Saluti a tutti quanti


Projeto Minuti’ – O Quadro relógio

January 29, 2008

Quadro Liberdade ao Alto para Relógio Minuti’

Olá,

Fiquei bem feliz com o convite de um grande amigo pra participar de seu projeto de design chamado Minuti’. Um projeto bacana cujo tema é o Tempo e as representações artísticas em torno dele. Tudo trabalhado nas dimensões de um relógio. Ele convidou artistas, designers e publicitários para criarem suas interpretações a serem exibidas e vendidas para o mercado nacional e internacional. Aceitei o convite com imenso prazer, já que pelos convidados participantes e pelos trabalhos, sabia que o projeto teria tudo pra ser um sucesso. Sr. Borel, parabéns pela iniciativa, tô orgulhoso como as coisas estão andando e também na torcida por aqui.
Abaixo posto o relógio que fiz, na verdade é um de meus quadros aplicado à peça de design. Achei que a energia explosiva de liberdade que esse quadro transmite seria bem apropriado para a ocasião. Abaixo o quadro para poderem ver os detalhes.

QUADRO | Liberdade ao Alto

Enquanto isso, as coisas seguem por aqui com mais uma dia de chuva, aí, aí… Breve tenho mais novidades pra postar, aguardem.

Veja aqui os trabalhos dos outros artistas convidados:

http://www.flickr.com/photos/minuti

Per ora, Piuvosi Saluti a voi
Abraços chuvosos


“The girl who collects shells” has come back – Estudos Compositivos Avançados

January 24, 2008

Ciao a tutti

Em pleno verão, São Pedro, o dono da torneira lá de cima, resolveu nos presentear com uma semaninha sem sol e de frio por aqui. Mesmo trabalhando bastante no “Daily but amazing Job”… (Vale um cometário aqui de minha parte. Essa semana completei um ano que estou na Grïngo, estou feliz de fazer parte deste clã porque o ambiente, a equipe, os projetos e principalmente meu mentor são todos autênticos inspiradores e que combinados, resultam numa química fantástica capaz de me fazer sentir ao vir trabalhar, como se estivesse indo encontrar velhos amigos artistas pra traçar planos de dominação do mundo e fazer coisas interessantes. Só tenho a agracedecer por estar do lado de gente tão talentosa e de alma boa). Mas não é sobre isso que queria escrever neste post, pelo menos não hoje. Apenas saiu. 😀

Aproveitando o frio e a chuva que está fazendo lá fora esta semana, procurei dar uma molhada nas idéias pra ver se resolvia uns detalhes que faltavam no quadro “The Girl Who Collects Shells… (…has come back to the coast)”. Ainda sentia falta de soluções para a estrutura da figura tema principal. Notava que havia muitas linhas no campo médio-superior que me causavam tensão desnecessária à composição, diminuindo minha sensação de leveza e contemplação que tenho buscado pro conceito do quadro desde sua “prima idea”.
Passei vários dias trabalhando arduamente nesse quadro, pensando em cada detalhes e o maior dos meus problemas está sendo chegar a uma harmonia compositiva de cabeça, ombros, linha da cintura e pés. AH, os pés! Quando os imaginei, eles estavam perfeitos, eram pés fortes, enraizados mas com leveza! Nos últimos estudos, acho que consegui chegar próximo ao que estava na minha cabeça. Fiz o pé esquerdo e gostei, falta o outro ficar harmônico também. Vamos ver como vai nascer o resto da composição. Estou animado pra terminá-lo. Por enquanto, fico eu com meu copo cheio de vinho aqui a desenhar, esperar e a perguntar.

Logo abaixo posto meus últimos estudos:

The girl who collects shells has come back to the coast | Estudos avançados


Canção da Despedida – Geraldo Azevedo, Elba Ramalho

January 18, 2008

Hoje minha inspiração veio por aqui. Fui pego de calças curtas logo no café-da-manhã por uma música. O mais perto que consigo de descrever a sensação é compará-la com a forma como Walt Disney representava o cheiro de comidas gostosas em seus desenhos, se lembram daquela fumacinha com uma mão que flutuava e puxava o nariz do Pluto e o fazia babar?

Bem, aconteceu o mesmo comigo hoje, só que ao invés do nariz foi com meus ouvidos, logo cedo ao acordar. Achei um vídeo no YouTube de alguém tocando apenas a melodia, posto a letra logo abaixo. Infelizmente não encontrei na web, a música na voz da Elba Ramalho, mas pra quem quiser, recomendo muito procurá-la e ouví-la. A música originalmente é de autoria de Geraldo Azevedo e Geraldo Vandré, mas é na interpretação da Elba Ramalho que vi Dós, Rés e Fás coloridos na minha frente. Bom, boa inspiração a todos.

Canção da Despedida
Composição: Geraldo Azevedo/Geraldo Vandré
Interpretação: Elba Ramalho

Já vou embora
Mas sei que vou voltar
Amor não chora
Se eu volto é pra ficar
Amor não chora
Que a hora é de deixar
O amor agora
Pra sempre ele ficar

Eu quis ficar aqui
Mas não podia
O meu caminho a ti
Não conduzia
Um rei maucoroado
Não queria
O amor em seu reinado
Pois sabia, não ia ser amado

Amor não chora
Eu volto um dia
O rei velho e cansado
Já morria

Perdido em seu reinado
Sem Maria
Quando eu me despedia
No meu canto lhe dizia


Nasceu “O Casamento da Poesia”.

January 17, 2008

<a mce_thref='https://piedealato.files.wordpress.com/2008/01/quadro-0801-casamentodapoesia-sketch-031.jpg' title='Quadro | O Casamento da Poesia - Estudos final'><img mce_tsrc='https://piedealato.files.wordpress.com/2008/01/quadro-0801-casamentodapoesia-sketch-031.jpg' alt='Quadro | O Casamento da Poesia - Estudos final' /></a>

E nasce mais um filhote.
Esse foi difícil, busquei a todo custo ser o mais fiel ao conceito do quadro, isso me custou vários testes e bons cálices de vinho, mas senti que consegui chegar a mesma harmonia cromática que rodava minha cabeça para representá-lo. Consegui levar a figura que representa a Sensibilidade (a Poesia), a ternurna necessária para domar sua parte Instintiva. Tô feliz com o resultado. Além de prestar a devida homenagem ao meu Frater Roberto Scalia que me emprestou um pouco de seu dom e inspiração para batizar a obra. Frater, dedico a parte Poesia desta obra a nossa amizade. Saluti, caro!
Dessa vez, o fato que mais me chamou atenção foi entender o processo de visualizar uma escala de cores na minha cabeça, a forma como ela se formava, ficava ou partia. Certas horas, me deu um certo desconformo na hora de transpor para a tela porque na maioria das vezes, as cores que estão na minha cabeça, me aparecem meio turvas e difíceis de serem escolhidas assim,logo da capo. Há que se ter tempo, há que se ter paciência. A certeza é que uma hora a harmonia entre elas surge, daí o sussego volta e tudo volta a harmonia inicial.
Enfim, brindo a você que chegou, meu filho.Vida linda pela frente, Avanti.

Quadro | O Casamento da Poesia - Detalhes