Archive for the 'personal life' Category

Dança, solidez e leveza. Uma lembrança familiar.

September 8, 2008

E como o tempo corre. Já setembro, quase primavera, logo mais as cores que aparentemente dormiam no inverno vão aparecer pra dar um alô. Já faz um tempo que não escrevo nada por aqui, não por preguiça ou por falta de vontade, o que aconteceu é que estive completamente absorvido por uma encomenda importante e… secreta! Mais infos. em breve… ehehhe… o que tenho pra contar agora é muito mais interessante.

Recebi mais uma encomenda, fiquei bastante feliz com o convite de um amigo arquiteto para criar mais uma obra. Ele criou um ambiente para uma exposição de arquitetura que vai acontecer a partir de setembro aqui em São Paulo e minha obra vai ser parte importante na narrativa visual do ambiente. Ainda estou sem muitas informações sobre o evento, datas e outras coisas do tipo, (prometo postar em breve) mas já estou cheio de inspiração para esse novo desafio. O Novo quadro já está em processo na cabeça, me tomando mente, corpo e coração!

O que me tem vindo constantemente pela cabeça e que coincidentemente foi o tema sobre o qual comecei a trabalhar para essa nova encomenda é a Música, a Dança. Alguns dias antes de receber o convite, andava pensando sobre minhas memórias musicais, aquelas mais antigas que de certa forma ficaram gravadas na caixola pra visitas ao longo da vida. Fiz um exercício para tentar descobrir minhas mais distantes memórias sobre dança, estar dançando ou vendo pessoas próximas em volta de mim dançarem. Cheguei a algumas lembraças que me levaram novamente de visita à infância, me peguei criança observando meus pais a dançar juntinhos na sala de casa enquanto um bolero tocava na vitrola. Me lembro da luz entrando pela janela onde parte absorvia e parte refletia a luz amarelada de domingo no taco de madeira da sala, contribuindo com eles enquanto rodavam, riam e giravam. As luzes e as cores negro-terrosas do ambiente, principalmente as dos móveis da sala de jantar me ensinavam as primeiras lições sobre peso e contraste visual dos elementos. Ao ver meus pais dançarem com tanta leveza aos seus rodopios, me causava euforia ao me perguntar sobre como era possível os pés tão sólidos dos móveis não se deixarem influenciar pelo som nem pela leveza do movimento que se desenrolava em frente aos nossos olhos. Como tudo isso era possível?! Eu estava ali, encantado com a leveza da dança a minha frente e com a solidez dos objetos no segundo plano. Confesso que naquele momento estranhamente esperava por uma resposta sobre aquela orquestra visual, não por parte dos meus pais mas por parte dos móveis, é claro! 😉

Quis contar essa historinha sobre dança porque é sobre ela o tema deste novo quadro. É dessa lembraça de ver meus pais dançando na sala que partiu minhas primeiras perguntas sobre dinâmica, sintonia e ressonância entre as pessoas. E vai ser sob a benção dessa memória que dou início a mais uma obra, que a solidez e a leveza me acompanhem.

Saudações em dois pra lá e dois pra cá a todos. Até breve com os primeiros estudos!

“O Jantar Musical” ao som de Because…

June 4, 2008

Estudos introdutórios de composição

Estudos introdutórios de composição

Estudos introdutórios de composição

Há um bom tempo tenho namorando este desenho mas me sentindo um pouco emperrado pra começá-lo de verdade. Resumir em forma e cor uma história memorável é um grande desafio de síntese emocional pra qualquer um.

Meses atrás fui convidado para um jantar na casa de uns amigos pernambucanos, excelentes anfitriões e cozinheiros de mão cheia, vale o comentário. Pessoas interessantes por toda casa, taças de vinho entre os dedos e muitos risos altos. A energia só aumentava e quem dava o tom era um velho amigo da casa, emprestando seu talento a um violão folk.

A certa hora da noite senti a energia da sala se modifcar, era como se a frequência energética das pessoas estivessem flutuando exatamente dentro de uma mesma faixa. Foi surpreendente ver todos sendo puxados pela melodia da música Because dos Beatles em uma única voz. Todos juntos. O impacto foi tão forte em minha percepção que decidi fazer daquele momento, este desenho. Noite memorável, música para o quadro também memorável, só ver aqui abaixo:

Bom, meu desafio para este quadro vai ser conseguir entrar em ressonância com a energia daquele dia. Quero poder, ao desenhá-lo, levar melodia a cada traço. Espero criar em linha e cor a atmosfera de calor e acolhimento musical que experimentei naquele dia. É hora de pintar!

Cores, pausas e notas para uma tarde chuvosa

May 2, 2008

Ainda não descobri todas matizes de cores dessa música, já achei rosa, verde, um pouco do laranja e, pelo olha da Nara Leão, até um pouco de lilás. Espero que esquentem vocês tanto quanto a mim, nessa sexta chuvosa de outono. Quis postar um vídeo pois ele me fez parar um pouco pra pensar sobre cumplicidade.  Junto a ele queria deixar uma pensamento pra somar à água que cai lá fora.

Curto muito observar em duetos a comunicação sutil que acontece entre os músicos quando se encontram. Fico pensando no que passa em suas cabeças, enquanto são tomados pela cumplicidade pontuada por notas e pausas. Olhem os olhares!

Dá pra sentir a energia em espiral rodando entre eles, às vezes acho muito parecida com o que acontece ao se observar um quadro. Sem palavras trocadas, se pode enxergar um pouco da alma de uma obra, extendendo à alma do artista.Traço e cores se abrem. É como entrar num mundo paralelo pra quem está disposto a se entregar.

Música quando bate nos meus ouvidos são como cores simbólicas numa tela de ar. Dá pra sentir o pulso do propósito da obra.

Fico aqui curtindo mais uma conversa entre o Chico e a Nara, pedindo pro frio nas minhas orelhas passar. Boas cores, pausas e notas pra vocês também.

Sim. Duas Torres.

April 8, 2008

Quadro | Duas torres

São Duas Torres, -ou são minhas/suas mãos? – são dois mundos e umas 4 coisas difusas por cor e linha pra me lembrar ao Acordar. Brincar um pouco com os instrumentos de Ariadne é um prazer, principalmente se for através de suas linhas que mais confundem num primeiro olhar do que explicam o coroar final do propósito. Para mim é uma diversão pintar com metáforas e representações simbólicas.

Gosto de lembrar a todos, quando estão de frente para meus quadros, o quanto eles são generosos. Eles simplesmente pedem para que desaceleram! Lembram a todos o quanto do corre-corre do dia nos faz perder o contato com o detalhe, com as mensagens sutis que habitam no silêncio, quando estamos em silêncio conosco. Desacelerar para poder Ver e não só exergar, desacelerar para poder entrar.

Quantas belas surpresas já tive, de quem, pelo valor da pausa de mais duas respirações, me contava histórias fantásticas de casamentos e cavalos marinhos!! De certa forma eram crianças… Mas já estou acostumado, pro de dentro acordar, tudo tem que começar com a velha e boa testa franzida!

Aos poucos o quadro se revela, ele entrega uma linha, mostra o dorso. Nesse quadro, batizado de DUAS TORRES, quis mostrar o belo ao representar o além da tensão que o isolamento impõe, seja àqueles que estão longe, seja aquele aí dentro de cada um. Sempre há saídas!

Para alguns é o sair da dormência e andar pra ver o mundo, para outros é no amor que se rompe a bolha letárgica e se recobre o fôlego e ritmo. Para algumas é a realização na maternidade e para os artistas,loucos e desgarrados de netuno, a rendenção se encontra no contato com a fragilidade da transformação diária.

Depois de ver mais um quadro terminado e bem recebido pelos amigos, acho que mereço coroar meu descanso em um azul de tarde de verão ou esperar pelo próximo dourado de qualquer 4 da tarde de outono. Pra minha cabeça é no simbolismo que se faz a diferença. E fecho esse post com mais uma lasca de chocolate.

Duas Torres - Moldura

Saluti a tutti quanti.

Canção da Despedida – Geraldo Azevedo, Elba Ramalho

January 18, 2008

Hoje minha inspiração veio por aqui. Fui pego de calças curtas logo no café-da-manhã por uma música. O mais perto que consigo de descrever a sensação é compará-la com a forma como Walt Disney representava o cheiro de comidas gostosas em seus desenhos, se lembram daquela fumacinha com uma mão que flutuava e puxava o nariz do Pluto e o fazia babar?

Bem, aconteceu o mesmo comigo hoje, só que ao invés do nariz foi com meus ouvidos, logo cedo ao acordar. Achei um vídeo no YouTube de alguém tocando apenas a melodia, posto a letra logo abaixo. Infelizmente não encontrei na web, a música na voz da Elba Ramalho, mas pra quem quiser, recomendo muito procurá-la e ouví-la. A música originalmente é de autoria de Geraldo Azevedo e Geraldo Vandré, mas é na interpretação da Elba Ramalho que vi Dós, Rés e Fás coloridos na minha frente. Bom, boa inspiração a todos.

Canção da Despedida
Composição: Geraldo Azevedo/Geraldo Vandré
Interpretação: Elba Ramalho

Já vou embora
Mas sei que vou voltar
Amor não chora
Se eu volto é pra ficar
Amor não chora
Que a hora é de deixar
O amor agora
Pra sempre ele ficar

Eu quis ficar aqui
Mas não podia
O meu caminho a ti
Não conduzia
Um rei maucoroado
Não queria
O amor em seu reinado
Pois sabia, não ia ser amado

Amor não chora
Eu volto um dia
O rei velho e cansado
Já morria

Perdido em seu reinado
Sem Maria
Quando eu me despedia
No meu canto lhe dizia

Cartão de trabalho. Minha cabeça cospe fogo.

January 11, 2008

Esse aí sou eu com a cabeça pegando fogo. Meu cartão de trabalho.
Quadros, Portraits, Obras murais (quadros em parede) e tantas outras coisas.

Se precisarem de alguma encomenda, só entrar em contato.

geO | cartão de trabalho

Inspiração diária. E tem?

January 11, 2008

Blotta passeando pelos elementos do mundo do geO

A maioria das pessoas não tem idéia de onde tirar inspiração pra seguir o dia-a-dia, pra criar, pra deixar as experiências mais interessantes de serem vividas…
Tô cansado de ver gente ao meu redor a viver robotizado, quase como máquinas. É triste mas é fato, tudo puxa pra continuar nessa Vida Severina, essa Vida de Plástico. Mas acredito que dá pra sair desse estado de torpor, Aprendi que Inspiração é algo a ser trabalhado todos os dias. E não sei se como dica, posto apenas uma foto que achei fuçando meus arquivos por aqui, mas que diz muito sobre minha forma de ver as coisas do mundo e entender as pessoas ao meu redor.
Aqui estão minhas inspirações que diariamente me fazem lembrar de quem realmente sou. E como fala o Mestre-músico Henri Salvador em uma de suas canções “Tout ça c’est pas grave!”, pelo menos pra mim!

Abraços inquietos

Verdades que se cristalizam em mais uma Revolução Solar

January 8, 2008

Como pessoas podem falar tanto através de uma fotografia, as vezes eu me assusto com isso. Aqui a captura de um desses momentos. O momento simbólico em que percebi um pouco mais sobre a essência das coisas. E Maya se desnuda mais uma vez pra mim.

Aniversário da terceira rodada de Saturno.