Fammi girare. Fammi girare, 1….2. Finalmente me decidi quanto ao nome desta obra. Tudo nasceu assim, estava conversando com um amigo cujo olhar e opiniões sobre arte eu admiro bastante, estavamos tentando chegar a um acordo, ou pelo menos a um entendimento, sobre qual era a medida que cada um usa quando avalia uma obra de arte, pra dizer o quanto a energia de seus temas extrapolam os traços de suas figuras. Trocando em miúdos, o grau de força que uma obra pode alcançar no sentido de conseguir uma reação física do expectador. Ficamos um bom tempo conversando sobre isso. Teria uma obra de arte, seja pintura ou escultura, o poder de mexer tanto com quem a admira que além da reação óbvia emocional, moveria o expectador a uma ter uma reação de manifestação física? Não chegamos a conclusão nenhuma, mas demos muitas risadas com todos os Degas, Matisses, Picassos e Klees pontuados por toda a conversa. Cada um que sacasse o seu da manga primeiro.
“Fammi girare” nasceu assim, acho até que mais do que ficou em mim depois dessa conversa boa sobre movimento, sentimento e interação. Quando estávamos pra concluir, meu amigo ainda à minha mesa, soltei das idéias o relâmpago luminoso. De súbito, soltei: “-Fammi girare!”. Foi daí batizada! Meu amigo ao ouvir o nome pela primeira vez, parou, calou-se, repetiu pra si e depois de um curto tempo, me devolveu. “-Fammi girare..hummm… Claro, lindo. Lindo nome! Gostei!”. E sorriu ao voltar pra sua mesa. Obrigado Marquito pela coautoria!
Ainda fiquei pensando só, repetindo algumas vezes enquanto olhava para cada linha que tinha traçado, cada problema encontrado e superado. Principalmente aquele dos pés! Nossa, como me deu trabalho desenhá-los! Nunca achei que precisasse usar tanto uma borracha pra chegar a mesma naturalidade e harmonia que encontramos nos pés calejados das bailarinas. Mas acredito que no final consegui o que tanto queria.
Posto abaixo as imagens do quadro concluído. Mais uma obra que me deu muito prazer em todo o processo de criação, principalmente por ter me trazido memórias de muleque, quando ainda via meus pais dançando ao som de um bolero no meio da sala, acompanhados pela brisa, pelo riso e por serem belos humanos, algumas pisadas de pé, no meio do dois-pra-lá-dois-pra-cá.
“Fammi girare da capo quando ci vuoi.”
Saluti a tutti quanti.
geO
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